As novelas com frutas se tornaram fenômeno em redes sociais como TikTok e Instagram. Criadas com inteligência artificial, bananas, morangos, abacaxis e abacates são protagonistas de folhetins curtos e em formato vertical. A tendência começou lá fora e, nas últimas semanas, virou assunto em rodas de conversa em todo o Brasil.
O que parece ser um fenômeno inocente, no entanto, tem despertado preocupação. Recentemente, a psicóloga gaúcha Jessica Mras ganhou notoriedade no Instagram ao definir as novelas com frutas como “um experimento psicológico”.
“A tal novela das frutas parece só um conteúdo bobo, né? Uma banana traindo uma maçã, uma uva fazendo barraco, um tal de Abacatudo. Mas o que te prende não são as histórias. São os episódios curtos, com emoção exagerada, conflito o tempo inteiro e, principalmente, um final que te deixa em suspense. E isso ativa no teu cérebro pequenas descargas de dopamina, uma atrás da outra. É o famoso ‘só mais um episódio’ que vira uma hora inteira do teu dia sem tu perceber”, inicia a psicóloga.
Na avaliação da psicóloga, a popularização das novelas com frutas contribuiu para um processo chamado Brain Rot, ou deterioração cerebral em tradução livre. Trata-se de um estado mental de desgaste causado pelo consumo excessivo de conteúdos curtos e superficiais, que podem reduzir a capacidade de concentração, reflexão e interesse por atividades mais profundas.
Em 2024, Brain Rot foi eleita a expressão do ano pelo Dicionário Oxford, mas é um conceito que surge ainda no século XIX no livro "Walden", do escritor Henry David Thoreau, que criticava a civilização industrial.
“Como a história é simples e meio absurda, ela não exige nenhum esforço de ti. O teu cérebro não precisa pensar nem interpretar muito. Ele só reage. O nome disso é brain rot ou, no bom e velho português, 'cérebro podre'. Que seria um consumo repetitivo e superficial de conteúdo que vai entorpecendo a tua mente”, explica Jessica.
A psicóloga alerta que o consumo excessivo destes conteúdos curtos e rasos podem empobrecer a forma com que a pessoa lida com a própria realidade. “Tu passa a buscar picos rápidos de emoção ao invés de sustentar experiências mais profundas. Óbvio que não tem problema nenhum se divertir assistindo a frutas brigando. O problema é quando isso se torna mais interessante do que a tua própria vida.”